quarta-feira, 27 de agosto de 2008

Os nomes

Tua mãe dava-te nomes pequenos, como se a maré os trouxesse com os caramujos.
Ela queria chamar-te afluente-de-junho, púrpura-onde-a-noite-se-lava, branca-vertente-do-trigo, tudo isto apenas numa sílaba.
Só ela sabia como se arranjava para o conseguir, meu-baiozinho-de-prata-para-pôr-ao-peito.
Assim te queria. Eu, às vezes.


Já não me lembrava desta doçura...
Obrigada Joana Neto pela recordação.

(lbc)

3 comentários:

Pipette disse...

Este Senhor deixa-me sempre sem palavras. Obrigada Lila :)

direitoàcena disse...

Como te dizia ontem enquanto lia, parecia que ouvia a tua voz na minha cabeça.. Foi assim que me apercebi que conhecia o poema...Que sensação...Obrigada eu!
(jn)

neo-orkuteiro disse...

DireitoÀcena,gostei muito.

Sempre acho algo agradável para ler neste blog, razão pela qual sempre a ele retorno para mais ler e mais gostar.

Agora, os carinhosos monossílabos maternos, que acodem os que de pequeno eu mesmo ouvia há muito, mas muito tempo.