terça-feira, 3 de fevereiro de 2009
"Se por acaso me vires por aí"
*
(Ele)
Se por acaso me vires por aí
Disfarça, finge não ver
Diz que não pode ser, diz que morri
Num acidente qualquer
Conta o quanto quiseste fazer
Exalta a tua versão
Depois suspira e diz que esquecer
É a tua profissão
E ouve-se ao fundo uma linda canção
De paz e amor
(Ela)
Se por acaso me vires por aí
Vamos tomar um café
Diz qualquer coisa, telefona, enfim
Eu ainda moro na Sé
Encaixotei uns papeis e não sei
Se hei-de deitar tudo fora
Tenho uma série de cartas para ti
Todas de uma tal de Dora
E ouvem-se ao fundo canções tão banais
De paz e amor
(Ele)
Se eu por acaso te vir por aí
Passo sem sequer te ver
Naturalmente que já te esqueci
E tenho mais que fazer
Quero que saibas que cago no amor
Acho que fui sempre assim
Espero que encontres tudo o que quiseres
E vás para longe de mim
E ouve-se ao fundo uma velha canção
De paz e amor
(Ela)
Na sexta-feira acho que te vi
À frente da Brasileira
Era na certa o teu fato azul
E a pasta em tons de madeira
O Tó talvez queira te conhecer
Nunca falei mal de ti
A vida passa e era bom saber
Que estás em forma e feliz
E ouve-se ao fundo uma triste canção
De paz e amor
segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009
quarta-feira, 28 de janeiro de 2009
ópera falhada...
Afonso: Sim senhor: o próprio...e há uma carrada de anos.
Ácaro: Como está... O meu nome é Ácaro: Henrique Céu de Aviz Castelo-Mayor-Que-O-do-Outro de Ácaro. Sou Engenheiro Financeiro.
(...)
Aponta para o quadro com o Magala genito e chora. Faz-se um silêncio de cerimónia.
Ácaro: A guerra levou tanta gente nova.
Afonso: Não foi a guerra sotôr. Foi a Revolução dos Malmequeres. O meu Genito andava aí com o regimento a comemorar e passou-lhe um chaimite por cima. Ainda fomos para o hospital com ele que aquilo era só pernas partidas: mas não havia médicos.
in Ópera do Falhado, de J.P.Simões
terça-feira, 20 de janeiro de 2009
Never Nothing From No One
Segunda mulher - Como as coisas são. Começam por ser pequeninas, depois crescem, estragam-se... Eu... comigo é a mania que ele tem de limpar os pés no tapete quando entra em casa ... não é nada de especial... é uma coisa que a mãe dele lhe ensinou quando era pequeno, sei lá, ficou-lhe aquela de limpar os pés no capacho antes de entrar em casa. Isto não interessa, não vale nada, não tem importância nenhuma. Mas... eu estou em casa... são sete, sete e um quarto, sete e meia... oiço-o abrir a porta... ponho-me toda a tremer, fico com pele-de-galinha ... "vai limpar os pés no tapete... vai limpar os pés no tapete...", até me encolho toda para não ouvir, mas lá está... raspa, raspa. São dias e dias disto, semanas, meses. Chego a casa cada vez mais tarde. Cada vez me apetece menos ir para casa. Isto é ridículo, mas as coisas são mesmo assim. De resto estamos bem, conversamos e tudo, fazemos a nossa vida sexual normal, gostamos de estar um com o outro. Mas aquilo dos pés... depois, não temos filhos, de maneira que eu tenho mais liberdade para chegar tarde... (Olha para o relógio). Sete e um quarto...
(...)
Segunda mulher - No princípio era tudo bestial, eu gostava muito dele e ele de mim. Talvez ele um bocadinho mais de mim que eu dele, mas isso é normal. E até pensava muitas vezes que tinha uma sorte dos diabos, que tinha um marido que não tinha manias, quando ouvia as desgraçadas das minhas irmãs e das minhas amigas queixarem-se dos maridos delas. Ai, o Manel não gosta de cinema, só de vídeo, de maneira que tenho de ir sozinha, o Fernando detesta dançar e eu adoro, o outro não quer ir de férias porque fica ansioso quando não trabalha, o outro não sei que mais, que inferno! O André, ao menos, come de tudo, não chateia nada, é fácil de se viver com ele. Tudo o que eu lhe ponha à frente está bom, marcha logo, vai a tudo, gosta de pessoas, gosta de sair, é simpático, pronto, não tem as manias que a maior parte dos homens têm. O André não. É só aquilo do capacho e não se pode dizer que seja uma mania. Até é uma coisa bem feita, se eu a conseguisse aturar.
(...)
Segunda mulher (olha para o relógio) - Já deve ter chegado. Meteu a chave à porta, deu um passo dentro de casa, limpou os pézinhos. (Suspira). Uma coisa pequenina mas que sorve as outras todas. O que mais me chateia é que ninguém me avisou que isto podia acontecer. Disseram-me, olha que ele começa a ter amantes, olha que ele começa a beber, a jogar, a dar menos dinheiro para a casa... Tanta coisa que podia acontecer e foi acontecer o que não estava previsto. (Pausa. Falsamente sentenciosa) Já dizia a minha avó: "É muito fácil conquistar um homem, o difícil é mantê-lo!".
sábado, 10 de janeiro de 2009
Boleias dAc
Lila: Por exemplo, uma pessoa que se põe a cantar na Casa da Música de chapéu de palha na cabeça está claramente a expor-se ao ridículo.
Eu: Claro. Mas quem é que fez isso?
Lila: A Lisa Ekdahl.....?
sexta-feira, 2 de janeiro de 2009
domingo, 28 de dezembro de 2008
Afonso's Day
(E, just for the record, consegui chegar a um computador com net com risco da própria vida!)
(ln)
sexta-feira, 19 de dezembro de 2008
Até Janeiro!
“É tarde já, vão sendo horas – horas de quê? De nada. De existir. De olhar ainda a luz, a vida . De absorver em mim o universo e levá-lo comigo sem nada desperdiçar. De exercer o ouvido enquanto ouve, os olhos, o corpo inteiro para que nada fique dele sem se cumprir. De encher os bolsos de tudo o que se me dá ou sonhar mesmo o que me não deram e não deixar perder nada por distracção. De dizer a palavra vida e tudo nela florir logo na sua existência. (...). A luz, a luz. (...) Não é a luz sumarenta do Outono ou a luz pesada do Verão. É uma luz nítida e ainda fria dos gelos do Inverno. Recorta as coisas pelo seu limite a elas emergem inteiras do seu ser. Essencialidade da vida, é a altura de lavarmos nela as mãos e olhar. Entender aí a nossa relação com elas e sermos nós também na inteireza do que somos. Aprender a ver o mundo na sua estrita realidade sem um ver que nos cegue como o fogo do Verão e a moleza outonal. Aprender o limite do excesso de nós para conhecermos a alegria que nos não cansa ou a melancolia que tem pacto feito com a morte. Existir uma vez ainda no recomeço de existir. E saudar a vida ainda, como se pela primeira vez.“
Vergílio Ferreira (Escrever, 20/314)
LN
quinta-feira, 18 de dezembro de 2008
Parabéns e tal
Joanita,
Cá vem o DàC dar virtualmente um abraço de parabéns e desejar um ano repleto de coisas boas** para a pitufa aniversariante do dia!
**Por "coisas boas" entendam-se, em enumeração meramente exemplificativa: amigos, família, gins ao final da tarde, viagens, livros, gargalhadas sonoras e cheias de vontade, fofocas, jantares com bom vinho, sol a obrigar a semicerrar os olhos, lareiras, vento a pedir abraços, palcos, aulas de dança em boa companhia ;-). Ah, e poucas chatices com a Segurança Social, para compensar o dia de hoje.
(LN)
terça-feira, 16 de dezembro de 2008
Réplica
Enfim duma escolha faz-se um desafio
enfrenta-se a vida de fio a pavio
navega-se sem mar sem vela ou navio
bebe-se a coragem até dum copo vazio
e vem-nos à memória uma frase batida
hoje é o primeiro dia do resto da tua vida
E entretanto o tempo fez cinza da brasa
e outra maré cheia virá da maré vaza
nasce um novo dia e no braço outra asa
brinda-se aos amores com o vinho da casa
e vem-nos à memória uma frase batida
hoje é o primeiro dia do resto da tua vida"
(Sérgio Godinho, O primeiro dia)
Boas Festas....
(LN)
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