segunda-feira, 30 de março de 2009

Indie Lisboa 2009



Uma vez mais, a não perder, num cinema (mais ou menos) perto de si.

http://www.indielisboa.com/

(ln)

domingo, 29 de março de 2009

Gran Torino



(jn)

sexta-feira, 27 de março de 2009

Maestro

O maestro sacode a batuta,
E lânguida e triste a música rompe...

Lembra-me a minha infância, aquele dia
Em que eu brincava ao pé de um muro de quintal
Atirando-lhe com uma bola que tinha dum lado
O deslizar dum cão verde, e do outro lado
Um cavalo azul a correr com um jockey amarelo...

Prossegue a música, e eis na minha infância
De repente entre mim e o maestro, muro branco,
Vai e vem a bola, ora um cão verde,
Ora um cavalo azul com um jockey amarelo...

Todo o teatro é o meu quintal, a minha infância
Está em todos os lugares, e a bola vem a tocar música,
Uma música triste e vaga que passeia no meu quintal
Vestida de cão tornando-se jockey amarelo...
(Tão rápida gira a bola entre mim e os músicos...)

Atiro-a de encontro à minha infância e ela
Atravessa o teatro todo que está aos meus pés
A brincar com um jockey amarelo e um cão verde
E um cavalo azul que aparece por cima do muro
Do meu quintal... E a música atira com bolas
À minha infância... E o muro do quintal é feito de gestos
De batuta e rotações confusas de cães verdes
E cavalos azuis e jockeys amarelos...

Todo o teatro é um muro branco de música
Por onde um cão verde corre atrás de minha saudade
Da minha infância, cavalo azul com um jockey amarelo...

E dum lado para o outro, da direita para a esquerda,
Donde há arvores e entre os ramos ao pé da copa
Com orquestras a tocar música,
Para onde há filas de bolas na loja onde comprei
E o homem da loja sorri entre as memórias da minha infância.

E a música cessa como um muro que desaba,
A bola rola pelo despenhadeiro dos meus sonhos interrompidos,
E do alto dum cavalo azul, o maestro, jockey amarelo tornando-se preto,
Agradece, pousando a batuta em cima da fuga dum muro,
E curva-se, sorrindo, com uma bola branca em cima da cabeça,
Bola branca que lhe desaparece pelas costas abaixo...


in Chuva Oblíqua Fernando Pessoa

No Dia Mundial do Teatro, como em todos os outros, de facto, o teatro é o meu quintal...
(jn)

quarta-feira, 25 de março de 2009

Krzysztof Kieślowski

Krzysztof Kieślowski (Varsóvia, 27 de Junho de 1941 — Varsóvia, 13 de Março de 1996)

A carreira de Kieślowski divide-se entre a fase polaca e a francesa. Depois de concluir a faculdade, começa a produzir documentários. A vida dos trabalhadores e dos soldados era o foco principal desses filmes. A narrativa dos documentários passa a influenciar os primeiros filmes de ficção do director. "A Cicatriz", "Blind Chance" e "Amador" são exemplos desse estilo.

Mais tarde, Krzysztof Kieślowski realizou para a Televisão Polaca uma série de filmes baseados nos Dez Mandamentos (chamada Decálogo) - um filme por mandamento, todos tratando de conflitos morais. Dois deles foram posteriormente produzidos, transformados em longa-metragens: Não Matarás e Não Amarás. A forma de contar a história muda nesta fase. O director passa a usar uma quantidade mínima de diálogos, concentrando-se no poder da imagem e das cores. As palavras são substituídas por uma poesia imagética.

O cineasta aprimorou o seu estilo nos filmes seguintes. Os quatro últimos filmes do director foram realizados através de uma produção francesa: "A dupla vida de Veronique" (com Irène Jacob) e a Trilogia das Cores (A liberdade é azul, A Igualdade é Branca e A Fraternidade é Vermelha). A trilogia das cores foram os filmes de mais sucesso comercial. São baseados nas cores da bandeira francesa e no lema da revolução do país. O toque de Kieslowski está na sua representação das palavras liberdade, igualdade e fraternidade e na forma que as cores dão ao ambiente psicológico da história. Outro ponto interessante é reparar no cruzamento de elementos em comum entre os três filmes.



(ln)

"INTERROGAÇÃO"

As promised. Sobre os inícios e os começos, as certezas ou a falta delas.

"INTERROGAÇÃO"

Não sei se isto é amor. Procuro o teu olhar,
Se alguma dor me fere, em busca de um abrigo;
E apesar disso, crê! nunca pensei num lar
Onde fosses feliz, e eu feliz contigo.

Por ti nunca chorei nenhum ideal desfeito.
E nunca te escrevi nenhuns versos românticos.
Nem depois de acordar te procurei no leito
Como a esposa sensual do Cântico dos cânticos.

Se é amar-te não sei. Não sei se te idealizo
A tua cor sadia, o teu sorriso terno...
Mas sinto-me sorrir de ver esse sorriso
Que me penetra bem, como este sol de Inverno.

Passo contigo a tarde e sempre sem receio
Da luz crepuscular, que enerva, que provoca.
Eu não demoro a olhar na curva do teu seio
Nem me lembrei jamais de te beijar a boca.

Eu não sei se é amor. Será talvez começo...
Eu não sei que mudança a minha alma pressente...
Amor não sei se o é, mas sei que te estremeço,
Que adoecia talvez de te saber doente.

Camilo Pessanha, Clepsidra

terça-feira, 24 de março de 2009

Um lugar estranho

Porque tentei e não fui capaz.
Porque quis, mas não sei como
Porque é fácil, mas eu complico
Porque está perto,mas não tão perto
Porque encontro mas não quero ver
E porque quando vejo deixo perder-se outra vez
Porque sou eu, mas não o sou
Porque agora sou isto, e agora não
Porque sei tudo, porque não sei nada
Porque nao saber nada é vazio
Porque o vazio é um lugar a preencher
Porque eu sonho, mas não faço
Porque eu faço mas não está bem
Porque está bem mas podia ser o melhor
Porque ser o melhor não me interessa

Porque eu disse que sim, mas pensei que era melhor não
Porque por momentos hesitei, mas controlei
Porque eu quero controlar sempre, e sempre é muito tempo
E porque voces estão ai, e eu estou noutro lugar...

Neste lugar estranho.
Neste meu lugar estranho
Porque eu sou esse lugar

Um poema, duas músicas, uma que me define entre tantos outros eus, outra porque gosto de balões e há sempre quem tenha fisgas e os tenta rebentar, e um fim de filme, onde tudo era proibido, e no fim oferecido como um abraço último ...um momento meu.
Porque ser meu não quer dizer que não possa ser um pouco vosso

O poema:

O Recreio

"Na minha Alma há um balouço
Que está sempre a balouçar -
Balouço à beira dum poço,
Bem difícil de montar...-

E um menino de bibe
Sobre ele sempre a brincar...

Se a corda se parte um dia
(E já vai estando esgarçada),
Era uma vez a folia:
Morre a criança afogada...-

Cá por mim não mudo a corda,
Seria grande estopada...

Se o indez morre, deixá-lo...
Mais vale morrer de bibe
Que de casaca... Deixá-lo
Balouçar-se enquanto vive...-

Mudar a corda era fácil...
Tal ideia nunca tive..."

(Mário de Sá-Carneiro)


As músicas









O fim de um filme






Porque não existem pedestais quando se gosta, porque tudo fica mais perto sem eles, e porque há mesmo lugares onde toda a gente trata a gente toda por igual... Até já.

Mas do que eu gosto mesmo afinal

não é de posts em nome colectivo. É de vos pôr a todos num pedestal.

(e pronto, agora acho que até a Lila e o Sérgio (!!!!) já bufam)


Terra Dos Sonhos - Jorge Palma

PS - 'Na terra dos sonhos, toda a gente trata a gente toda por igual' :)

segunda-feira, 23 de março de 2009

Proposta à mesa após aturada reflexão ;-)

No sentido de preservar a nossa vida social, estive a pensar que podiamos alterar os objectivos do grupo: podiamos deixar de FAZER peças.
Ou seja, o grupo de teatro dÀc podia ser um grupo que VAI ao teatro uma vez por mês.
;-)

Pronto, boa semana.

(ln)

sábado, 21 de março de 2009

Rodrigo Leão

Para recordar a Sala Suggia. Ontem foi assim... Mesmo nos dias maus, há sempre momentos que nos salvam.
"A gente vive na mentira, já não dá conta do que sente..."
(Jn)

sexta-feira, 20 de março de 2009

Quase fim de semana

«O que eu quero principalmente é que vivam felizes». Não lhes disse talvez estas palavras, mas foi isto o que eu quis dizer. No sumário, pus assim: «Conversa amena com os rapazes». E pedi, mais que tudo, uma coisa que eu costumo pedir aos meus alunos: lealdade. Lealdade para comigo, e lealdade de cada um para cada outro. Lealdade que não se limita a não enganar o professor ou o companheiro: lealdade activa, que nos leva, por exemplo, a contar abertamente os nossos pontos fracos ou a rir só quando temos vontade (e então rir mesmo, porque não é lealdade deixar então de rir) ou a não ajudar falsamente o companheiro. «Não sou, junto de vós, mais do que um camarada um bocadinho mais velho. Sei coisas que vocês não sabem, do mesmo modo que vocês sabem coisas que eu não sei ou já esqueci. Estou aqui para ensinar umas e aprender outras.

Ensinar, não: falar delas.

Aqui e no pátio e na rua e no vapor e no comboio e no jardim e onde quer que nos encontremos».

Sebastião da Gama, Diário



(ln)

quinta-feira, 19 de março de 2009

Chloe


Suspended

Do mp3 do Gil.

Em jeito de presente de aniversário.

(lbc)

19 de Março




Saudações pitufas do dÀc