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quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

E agora para algo completamente inesperado...

aos teatreiros e antigos teatreiros:



FELIZ NATAL!


beijos da a.t. com saudades,
lbc

sexta-feira, 28 de agosto de 2009

SG

Faz hoje exactamente um ano que não vou a um concerto do SG.
Irra. Raios.

"Lá em baixo ainda há quem passe
e um sonho que anda à solta
vem bater à minha porta
diz a senha da revolta
vou plantá-lo e pô-lo ao sol
até que se recomponha
é um sonho que acordado
vale bem quem ele sonha
lá em baixo, até já disse
que é que tem a ver comigo
e no entanto sobressalto
se me batem ao postigo

E tu Maria diz-me onde andas tu
qual de nós faltou hoje ao rendez-vous
qual de nós viu a noite
até ser já quase de dia
é tarde, Maria
toda a gente passou horas
em que andou desencontrado
como à espera do comboio
na paragem do autocarro"

Sérgio Godinho e Clã

(ln)

quarta-feira, 22 de julho de 2009

E agora, para algo completamente inesperado!





Grande Romaria direitoÀcena
24 de Julho de 2009

Festas em honra de Todos-os-Santos-que-nos-valham



Magnífico Programa de Festas

10h00 Encontro para meditação pitufil ao pequeno-almoço nas “Galerias de Paris”, Porto

11h45 Saída em peregrinação pitufa (by car) com rumo à cidade de Aveiro

13h30 Grande Almoço Pitufo na Barra. “Graças” a cargo dos camaradas pitufos Francisco Noronha e Inês Vouga

Intervalo para deambulação pitufial no Delta, esplanadas e praia. O passadiço está disponível para longa caminhada caso o tempo e a vontade dos participantes camaradas pitufos convirjam no sentido da formação espontânea de um núcleo “Urbanita”.

19h00 Regresso em grande peregrinação (tipo “venho da festa” mas ainda “vou p’ra festa” :)) com desvio a Leça da Palmeira

20h30 Grande Jantar no “Bar das Fuzelhas” em Leça da Palmeira (*). “Graças de envio da Inês p’África” a cargo dos camaradas pitufos (levem discurso preparado!)

Noite dentro com animação vária. Fogos de artifício. Champomim, uvas passas, bolo rei, caldo verde e chouriça assada.

*

Banda Sonora: do hipi hopi à dança do quadrado, do Zé Malhoa ao Thriller, da Texana Azul à Jukebox dos 60’s, 70’s e 80’s

Dress Code: pelo menos uma peça de vestuário em cor azul - é esperar que umas e outras tragam um certo e determinado vestido...

(*) Ingresso no jantar patrocinado pela tesouraria dÀcREN (vale dizer, à pala para os camaradas-pitufos-não licenciados-membros do dÀc)

Bilhetes só não estão disponíveis no Senhor Ferreira porque a Comissão de festas não quer melindrar a saudosa menina Márisa

domingo, 28 de junho de 2009

Contrariar as estatísticas


Coincidências felizes: tinha lido na semana passada que a "contaminação luminosa impede 99 por cento dos europeus de verem a via láctea".
Por isso, este fim de semana ainda soube melhor pertencer a um magro 1%: só no Alentejo as noites são estreladas como num planetário.
E eu tinha saudades de ficar assim deslumbrada.

Boa semana.

(ln)

sábado, 20 de junho de 2009

Sábado de sol a ouvir MPB**

** Para os mais novinhos ;-), a sigla significa Música Popular Brasileira


Teresinha (Ópera do Malandro)
(...)
O terceiro me chegou como quem chega do nada
Ele não me trouxe nada também nada perguntou
Mal sei como ele se chama mas entendo o que ele quer
Se deitou na minha cama e me chama de mulher
Foi chegando sorrateiro e antes que eu dissesse não
Se instalou feito posseiro, dentro do meu coração
(...)
http://www.youtube.com/watch?v=qKq0hz44GnQ

Sem fantasia
(...)
Eu quero te contar
Das chuvas que apanhei
Das noites que varei
No escuro a te buscar
Eu quero te mostrar
As marcas que ganhei
Nas lutas contra o rei
Nas discussões com Deus
(...)http://www.youtube.com/watch?v=vSY8xSrymnM

Noite dos mascarados
(...)Mas é carnaval
Não me diga mais quem é você
Amanhã, tudo volta ao normal
Deixe a festa acabar
Deixe o barco correr
Deixe o dia raiar
Que hoje eu sou
Da maneira que você me quer
(...)
http://www.youtube.com/watch?v=n72vD9Wtt8Y


Tá combinado
(...)
Não tem nenhum engano nem mistério.
É tudo só brincadeira e verdade.
Podemos ver o mundo juntos,
Sermos dois e sermos muitos,
Nos sabermos sós sem estarmos sós.
(...)Mas e se o amor já está, se há muito tempo que chegou
E só nos enganou?
(...)
http://www.youtube.com/watch?v=XbL8-pg-G9w

Valsinha
(...)Então ela se fez bonita como há muito tempo não queria ousar
Com seu vestido decotado cheirando a guardado de tanto esperar
Depois os dois deram-se os braços como há muito tempo não se usava dar
E cheios de ternura e graça foram para a praça e começaram a se abraçar
(...)
http://www.youtube.com/watch?v=uSz17T7ue6Q

Brooke

quinta-feira, 18 de junho de 2009

"Le premier bonheur du jour c'est un ruban de soleil"

Mais uma tentativa de converter as massas ignaras ao francês ;-) : hoje acordei com um raio de sol a brincar com os olhos e passei o dia a lembrar a doçura da Françoise Hardy numa música que há anos me fartava de ouvir numa ....cassette (pois...) antiga.

http://www.youtube.com/watch?v=LO_yZKLACBI


(ln)

terça-feira, 16 de junho de 2009

A mais bonita das letras e músicas do Cohen

(Lila, Lila: just behind you!)

http://www.youtube.com/watch?v=30egIKHT-pM


Suzanne takes you down to her place near the river
You can hear the boats go by
You can spend the night beside her
And you know that she's half crazy
But that's why you want to be there
And she feeds you tea and oranges
That come all the way from China


And just when you mean to tell her
That you have no love to give her
Then she gets you on her wavelength
And she lets the river answer
That you've always been her lover


And you want to travel with her
And you want to travel blind
And you know that she will trust you
For you've touched her perfect body with your mind.

And Jesus was a sailor
When he walked upon the water
And he spent a long time watching
From his lonely wooden tower

And when he knew for certain
Only drowning men could see him
He said "All men will be sailors then
Until the sea shall free them"

But he himself was broken
Long before the sky would open
Forsaken, almost human
He sank beneath your wisdom like a stone

And you want to travel with him
And you want to travel blind
And you think maybe you'll trust him
For he's touched your perfect body with his mind.

Now Suzanne takes your hand
And she leads you to the river
She is wearing rags and feathers
From Salvation Army counters

And the sun pours down like honey
On our lady of the harbour
And she shows you where to look
Among the garbage and the flowers


There are heroes in the seaweed
There are children in the morning
They are leaning out for love
And they will lean that way forever
While Suzanne holds the mirror

And you want to travel with her
And you want to travel blind
And you know that you can trust her
For she's touched your perfect body with her mind.

(ln)
Uma pitada da nossa "ida ao cinema" de ontem:
O Noronha estava tolinho,a Inês tinha sono, a Rita ia estudar, o Sérgio não queria ver nenhum filme, a Catarina tinha dores no corpo e gente deitada ao monte na cama, e o Bruno queria por força ver a brilhante prestação dos portugueses nos festivais da canção.
(mas acabou por ser o único a ver o filme...)




Beijos, rita

domingo, 14 de junho de 2009

Releituras III

"Fotografia de São Francisco**

A Califórnia não é eterna, mas há um certo tipo de silêncio que se procura sempre e que se encontra apenas muito raramente.
Esse é o teu brilho, São Francisco.
Vais ver, teremos camisas de flores coloridas e saberemos rir-nos de tudo.
E, contra todas as expectativas, quando um de nós estiver a morrer, o outro estará lá."

José Luís Peixoto, "Gaveta de Papéis" (2008)


**(quase em jeito de homenagem, porque é uma das cidades que conheço com a luz mais parecida com a da Lisboa branca que teve o seu dia ontem)

(ln)

sábado, 13 de junho de 2009

O Maravilhoso Almoço do Bruno e da Rita na Cantina da FDUP

Começo por dizer, que este post só é publicado dado o facto de ter recebido inúmeros pedidos para o fazer, ou seja, resumindo: A pedido de varias famílias aqui vai...

Começo por dizer que tudo começou há um tempo atrás na ilha do sol, o destino te mandou de volta para o meu cais... Oh hey... (Sorry, não era nada disto que queria dizer, bem, avançando...)



Era uma vez...

Uma menina chamada Rita e um menino chamado Bruno que estavam em plena fila das senhas de almoço do Bar da FDUP. Quando do nada, sem estar à espera de nada, a Rita sugere ao Bruno para ir almoçar à Cantina. Ela fez a sugestão com o seguinte comentário: "Oh! Claro que não podemos ir, porque uma pessoa tu (Bruno), do teu nível, não come em sítios pobres e baratinhos como eu frequento, sendo que a comida da cantina é ranhosa mas eu até gosto... Pelo menos, podemos ir ver a ementa e se não gostares não comemos lá!"

Ora bem, Eu, Bruno, depois disto disse: "Ok! Apesar de fazer mais de dois anos que não ponho os pés na cantina, vamos lá comer na cantina" - para a Rita ficar feliz!

(Sendo que a Rita nunca esperou que eu fosse comer com ela na Cantina)

Chegamos à cantina, como da última vez que estive la - mais ou menos há dois anos atrás - a primeira impressão que tive foi: - Continua muito escura e sombria e fechada, com pouca iluminação e com falta de ventilação!

Mas já estando na Cantina vimos a ementa fomos então ao balcão de self-service, e tiramos primeiramente o tabuleiro, os cobertos e o copo. De seguida tiramos o pão, enchemos o copo de sumo, tiramos uma sopa e uma fruta. E por último, escolhemos o prato que queríamos.
É preciso frisar que no expositor de pratos haviam mais opções do que o cardápio da ementa continha. Situação que mereceu outro comentário por parte da Rita: "Outro dos motivos pelo qual gosto tanto da Cantina, para além de ser baratinho, chegamos aqui e surpreendemos-nos sempre! Porque há sempre mais pratos do que aqueles que estão na lista da ementa!"

Preciso de frisar outras opiniões que tive, para além da primeira impressão que tive e que já frisei.
A Cantina inovou nestes aspectos (comparando com a ultima vez em que a frequentei):

- O pão é maior

- Agora dispõe aos clientes de 2 (dois) sumos de sabores diferentes: laranja e maçã (antigamente só dispunha de sumo de laranja) - [Sendo que a Rita mistura ambos, dizendo que sabe muito melhor!]

- O preço aumentou, não sei muito bem, mas talvez entre os 10cents. e os 20 cents.


Bom, depois de tudo isto já com os nosso tabuleiros repletos de comida, fomos sentarmos para uma mesa - que foi escolhida pela Rita.

Vejam só o que nós almoçamos. Estas foram as nossas Escolhas.

As Escolhas do Bruno:
Sopa de Legumes, Pão, Sumo de Maçã
Prato: Arroz com Grão de bico, Courgettes e Cenoura
Sobremesa: Pera


As Escolhas da Rita:
Sopa de Legumes, Sumo MIX de Laranja e de Maçã
Prato: Arroz com febra e ovo
Sobremesa: Melão

Para além dos pratos ficam aqui mais imagens que com provam o facto que realmente almoçamos na Cantina



Aqui ficam algumas conversas/frases que a Rita pronunciou durante o almoço:

- "Aí, que seca! Aí odeio mandar mensagens quando estou a almoçar!"

- "Sinto-me tão em casa aquí na Cantina!"

- "Já não tou com o dÀc há totil!"


Depois de comer a Sopa e o Prato-Principal tivemos que desimpedir o tabuleiro para podermos comer a sobremesa à vontade.



Sendo que depois de o almoço terminar, surge o seguinte comentário por parte da Rita:

- "É terrível mas eu nunca devia almoçar, porque depois de almoçar da-me um sono incrível. Só me apetece dormir! (...) Fico triste que a faculdade não tenha um grande jardim para lá poder descansar e dormir uma soneca, de vez enquanto..."

Bruno: - "Tens que ir para Espanha trabalhar, assim depois de almoçar podes dormir à vontade!"


Passados alguns minutos, acontece o que podem ver nas imagens:







(E depois acordou...) E voltamos para as nossas vidas normais, de estudantes cansados e exaustos dos exames e do estudo... Mas tem que ser, o que tem que ser tem muita força... Ou talvez não... Quem sabe... Que Será, Será...



THE END

BL

domingo, 31 de maio de 2009

Sábados sem ensaios

Não desconsiderando V. Exas, sábados sem ensaios também sabem pela vida.
Entre outras coisas que fazem as pessoas normais, dão para:
a) rever pessoas "normais"(ao invés de teatreiros "endoudados";-)) e desmoer o calor com uns mergulhos;
b) reler Séneca (Da vida feliz) - sei que parece um bocado "pseudo", como alguns diriam, mas desde há dias que me tinha dado a urgência de ir buscar o livro à prateleira;
c) ver o espectáculo 4 COREÓGRAFOS no Teatro Camões: tinha visto uma das coreografias - Isolda, da Olga Roriz - há 19 anos (pois, sim, eu sei...) na Gulbenkian.
Não gosto nada de ballet clássico (poupem-me ao Lago dos Cisnes ou ao Quebra-Nozes). Ao invés, ter assinatura do Ballet Gulbenkian - na altura uma pedrada no charco da dança - foi dos hábitos culturais mais regulares e antigos que tive: desde os meus 16 anos (no ano...pois, deixem lá...), a preços absurdamente baixos, até ter sido extinto em 2005. Cada espectáculo me deixava a vogar no espaço durante uns tempos. Lembro-me como hoje de muitas das coreografias do Wellenkamp, lembro-me de movimentos precisos do Benvindo Fonseca ou da Bárbara Griggi.
E o Isolda tinha sido uma das coreografias que mais me marcou. Ontem voltei a vê-la com o frémito da ansiedade de antecipação mas também com o medo de quem "regressa onde foi feliz". E voltei a ficar suspensa dos figurinos barrocos (eu que sou pouco gongórica), da sensação de irmandade feminina (eu que abomino o feminismo), da impressão de tristeza de punhal (eu que não sou triste), dos movimentos sincopados. Só faltou o final apotéotico - na Gulbenkian a parede final revela-se numa parede de vidro que mostrava os jardins iluminados pela luz da lua.
A sensação de que tudo isto voltou a mexer comigo passados 19 anos deixou-me a pensar que não obstante ser essencial a abertura ao que novas coisas nos possam fazer sentir, é também muito bom o conforto inexplicável de saber quais as coisas que sempre nos fazem tocar as mesmas cordas cá dentro (e esta conclusão final aplica-se a uma série infindável de situações);
d) acabar a noite na Fábrica do Braço de Prata
Como se percebe mais ou menos pela foto é um armazém meio decadente na zona oriental de Lisboa com imensas salas em que ao mesmo tempo há concertos, livrarias, exposições, restaurantes, bares, etc. Ontem ainda deu para vermos duas performances de arte (assustadoras), para dançar uns chorinhos brasileiros e para comprar uns livros antigos daqueles que atraem pela capa e pelo tema e que depois vamos perceber que deviam lá ter ficado na estante.
É um sítio com uma "mística" muito própria, mesmo. Era o ideal para uma festa dÀc, garanto eu.
Quando alguém vier jantar a Lisboa.... ;-) vamos lá, boa? Boa.

(ln)

sábado, 30 de maio de 2009

(o Sérgio e o Francisco) São uns fófinhos!





Francisco: A Lídia é a minha empregada, mas mais do que uma empregada (pausa) é uma amiga.

Rita: a LiÁna é uma matrona. Só chupa mama mama.

(há muitas outras, mas achei por bem censurar partes...quem quiser que deixe em comentário porque eu não ponho aquilo num post :p)

sexta-feira, 29 de maio de 2009

Vocês têm que serenar, pitufos ;-)

http://www.youtube.com/watch?v=22tV6Kcbwqw

(...)
Somos nós que fazemos a vida
Como der ou puder ou quiser

(...) Eu sei
Que a vida devia ser bem melhor e será
Mas isso não impede que eu repita
É bonita, é bonita e é bonita.


Bom fim de semana (diz-se no Alentejo que em noites quentes de céu estrelado anda o diabo à solta, por isso...faites attention)

(ln)

segunda-feira, 25 de maio de 2009

Vivemos de palavras

Já que a L. começou (EA é sempre EA), ficam duas outras letras de canções que me têm andado a bailar nos ouvidos nos últimos dias e que são dos mais maravilhados gritos de vida.

Vá, arrepiem-se.

NO TEU POEMA (José Luís Tinoco)

http://www.youtube.com/watch?v=hUxB2VDNe9Y

No teu poema
Existe um verso em branco e sem medida
Um corpo que respira, um céu aberto
Janela debruçada para a vida.
No teu poema
Existe a dor calada lá no fundo
O passo da coragem em casa escura
E aberta, uma varanda para o Mundo.

Existe a noite
O riso e a voz refeita à luz do dia
A festa da Senhora da Agonia
E o cansaço do corpo que adormece em cama fria.
Existe um rio
A sina de quem nasce fraco ou forte
O risco, a raiva, a luta de quem cai ou que resiste
Que vence ou adormece antes da morte.

No teu poema
Existe o grito e o eco da metralha
A dor que sei de cor mas não recito
E os sonos inquietos de quem falha.
No teu poema
Existe um cantochão alentejano
A rua e o pregão de uma varina
E um barco assoprado a todo o pano.

Existe a noite
O canto em vozes juntas, vozes certas
Canção de uma só letra e um só destino a embarcar
O cais da nova nau das descobertas.
Existe um rio
A sina de quem nasce fraco, ou forte
O risco, a raiva e a luta de quem cai ou que resiste
Que vence ou adormece antes da morte.

No teu poema
Existe a esperança acesa atrás do muro
Existe tudo mais que ainda me escapa
E um verso em branco à espera... do futuro


ESTRELA DA TARDE (Ary dos Santos)

http://www.youtube.com/watch?v=w3WYsdHhC-8

Era a tarde mais longa de todas as tardes que me acontecia
Eu esperava por ti, tu não vinhas, tardavas e eu entardecia
Era tarde, tão tarde, que a boca, tardando-lhe o beijo, mordia
Quando à boca da noite surgiste na tarde tal rosa tardia

Quando nós nos olhámos tardámos no beijo que a boca pedia
E na tarde ficámos unidos ardendo na luz que morria
Em nós dois nessa tarde em que tanto tardaste o sol amanhecia
Era tarde de mais para haver outra noite, para haver outro dia

Meu amor, meu amor
Minha estrela da tarde
Que o luar te amanheça e o meu corpo te guarde
Meu amor, meu amor
Eu não tenho a certeza
Se tu és a alegria ou se és a tristeza
Meu amor, meu amor
Eu não tenho a certeza

Foi a noite mais bela de todas as noites que me adormeceram
Dos nocturnos silêncios que à noite de aromas e beijos se encheram
Foi a noite em que os nossos dois corpos cansados não adormeceram
E da estrada mais linda da noite uma festa de fogo fizeram

Foram noites e noites que numa só noite nos aconteceram
Era o dia da noite de todas as noites que nos precederam
Era a noite mais clara daqueles que à noite amando se deram
E entre os braços da noite de tanto se amarem, vivendo morreram

Eu não sei, meu amor, se o que digo é ternura, se é riso, se é pranto
É por ti que adormeço e acordo e acordado recordo no canto
Essa tarde em que tarde surgiste dum triste e profundo recanto
Essa noite em que cedo nasceste despida de mágoa e de espanto

Meu amor, nunca é tarde nem cedo para quem se quer tanto!

(ln)

quinta-feira, 21 de maio de 2009

Espectáculo

Para todos os 13 que deram as mãos em rodas ou em linhas rectas nestas últimas noites, com a certeza de que os encontros de vida e as relações ultrapassam a "luz da ribalta": obrigada.

Já sei que é um bis neste blog, mas vá:

Quando
tu me vires no music-hall
estarei no palco
cabeça ao sol
ao sol da noite das luzes
à espera dum outro sol
e que os teus olhos os uses
como quem usa um farol
não me olhes só dessa frisa lateral
desce pela cortina e acompanha-me em cena
vamos dar à perna como gente que se ama
e até não se poder mais
vamos bailar
(...)

E quando
à minha casa fores dar
vem devagar
e apaga-me a luz
que a luz destoutra ribalta
às vezes não me seduz
às vezes não me faz falta
às vezes não me seduz
às vezes não me faz falta.

(Sérgio Godinho, of course.)

(ln)

segunda-feira, 4 de maio de 2009

"Fazer o lazer"

Só me apetece "fazer o lazer"* e escorregar os pés na areia e falar em viagens e sol e mar, e trautear músicas tão leves como as borbulhas da sangria a meio da tarde ou dos gins tónicos de fim de tarde, e rever filmes coloridos (saudades do Frida, num tempo em que México só parece fazer lembrar gripe).

E não posso "fazer o lazer".

Porque tenho uma semana com dias cheios de trabalho e noites passadas - literalmente - numa sala preta.



(ln)

*Jantar dÀc de 3/4.5.09