sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009

Dia dos namorados à moda de quem-nós-sabemos

Eu quero amor feinho.
Amor feinho não olha um pro outro.
Uma vez encontrado, é igual fé,não teologa mais.
Duro de forte, o amor feinho é magro, doido por sexo
e filhos tem os quantos haja.
Tudo que não fala, faz.
Planta beijo de três cores ao redor da casa
e saudade roxa e branca,da comum e da dobrada.
Amor feinho é bom porque não fica velho.
Cuida do essencial; o que brilha nos olhos é o que é:
eu sou homem você é mulher.
Amor feinho não tem ilusão,
o que ele tem é esperança:
eu quero amor feinho.

de Adélia Prado

Poesia num cartaz exposto em vitrina de uma florista no Porto (enfeitada a propósito do Dia dos Namorados) que é como quem diz "deixe lá. assim também ninguém lhes toca...". Sábias palavras.

(lbc)

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

Dizemos

José Saramago
Fevereiro 11, 2009
"Dizemos aos confusos, Conhece-te a ti mesmo, como se conhecer-se a si mesmo não fosse a quinta e mais difícil operação das aritméticas humanas, dizemos aos abúlicos, Querer é poder, como se as realidades bestiais do mundo não se divertissem a inverter todos os dias a posição relativa dos verbos, dizemos aos indecisos, Começar pelo princípio, como se esse princípio fosse a ponta sempre visível de um fio mal enrolado que bastasse puxar e ir puxando até chegarmos à outra ponta, a do fim, e como se, entre a primeira e a segunda, tivéssemos tido nas mãos uma linha lisa e contínua em que não havia sido preciso desfazer nós nem desenredar emanharados, coisa impossível de acontecer na vida dos novelos, e, se uma outra frase de efeito é permitida, nos novelos da vida."

Publicado em O Caderno de Saramago
(LN)

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009

JP Simões



Gosto mais desta:)

Diu

Isto é em honra ao nosso último jantar:)

E para a Marta (F.) não vai nada, nada, nada...

TUDO!!!!!!!

Um abraço de parabéns, Martita!

(ln)

terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

"Se por acaso me vires por aí"



*

(Ele)
Se por acaso me vires por aí
Disfarça, finge não ver
Diz que não pode ser, diz que morri
Num acidente qualquer
Conta o quanto quiseste fazer
Exalta a tua versão
Depois suspira e diz que esquecer
É a tua profissão

E ouve-se ao fundo uma linda canção
De paz e amor

(Ela)
Se por acaso me vires por aí
Vamos tomar um café
Diz qualquer coisa, telefona, enfim
Eu ainda moro na Sé
Encaixotei uns papeis e não sei
Se hei-de deitar tudo fora
Tenho uma série de cartas para ti
Todas de uma tal de Dora

E ouvem-se ao fundo canções tão banais
De paz e amor

(Ele)
Se eu por acaso te vir por aí
Passo sem sequer te ver
Naturalmente que já te esqueci
E tenho mais que fazer
Quero que saibas que cago no amor
Acho que fui sempre assim
Espero que encontres tudo o que quiseres
E vás para longe de mim

E ouve-se ao fundo uma velha canção
De paz e amor

(Ela)
Na sexta-feira acho que te vi
À frente da Brasileira
Era na certa o teu fato azul
E a pasta em tons de madeira
O Tó talvez queira te conhecer
Nunca falei mal de ti
A vida passa e era bom saber
Que estás em forma e feliz

E ouve-se ao fundo uma triste canção
De paz e amor

Ensaio

5.2.2009, quinta-feira, 19h30, fdup

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

Parabéns pra você...

Luísa, é o teu dia.
O dÀc deseja-te parabéns e muitos Dias Felizes!

quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

ópera falhada...

Ácaro: Ora muito boa tarde. É o senhor Afonso Rocha, suponho?

Afonso: Sim senhor: o próprio...e há uma carrada de anos.

Ácaro: Como está... O meu nome é Ácaro: Henrique Céu de Aviz Castelo-Mayor-Que-O-do-Outro de Ácaro. Sou Engenheiro Financeiro.

(...)

Aponta para o quadro com o Magala genito e chora. Faz-se um silêncio de cerimónia.

Ácaro: A guerra levou tanta gente nova.

Afonso: Não foi a guerra sotôr. Foi a Revolução dos Malmequeres. O meu Genito andava aí com o regimento a comemorar e passou-lhe um chaimite por cima. Ainda fomos para o hospital com ele que aquilo era só pernas partidas: mas não havia médicos.

in Ópera do Falhado, de J.P.Simões

terça-feira, 20 de janeiro de 2009

Never Nothing From No One

(Em palco estão quatro mulheres, sentadas em cadeiras dispostas assimetricamente; (...) Não há diálogo: as mulheres expõem os seus casos, estão perante o médico, ou amigos, ou autoridades, a quem se confessam e explicam).

Segunda mulher - Como as coisas são. Começam por ser pequeninas, depois crescem, estragam-se... Eu... comigo é a mania que ele tem de limpar os pés no tapete quando entra em casa ... não é nada de especial... é uma coisa que a mãe dele lhe ensinou quando era pequeno, sei lá, ficou-lhe aquela de limpar os pés no capacho antes de entrar em casa. Isto não interessa, não vale nada, não tem importância nenhuma. Mas... eu estou em casa... são sete, sete e um quarto, sete e meia... oiço-o abrir a porta... ponho-me toda a tremer, fico com pele-de-galinha ... "vai limpar os pés no tapete... vai limpar os pés no tapete...", até me encolho toda para não ouvir, mas lá está... raspa, raspa. São dias e dias disto, semanas, meses. Chego a casa cada vez mais tarde. Cada vez me apetece menos ir para casa. Isto é ridículo, mas as coisas são mesmo assim. De resto estamos bem, conversamos e tudo, fazemos a nossa vida sexual normal, gostamos de estar um com o outro. Mas aquilo dos pés... depois, não temos filhos, de maneira que eu tenho mais liberdade para chegar tarde... (Olha para o relógio). Sete e um quarto...

(...)

Segunda mulher - No princípio era tudo bestial, eu gostava muito dele e ele de mim. Talvez ele um bocadinho mais de mim que eu dele, mas isso é normal. E até pensava muitas vezes que tinha uma sorte dos diabos, que tinha um marido que não tinha manias, quando ouvia as desgraçadas das minhas irmãs e das minhas amigas queixarem-se dos maridos delas. Ai, o Manel não gosta de cinema, só de vídeo, de maneira que tenho de ir sozinha, o Fernando detesta dançar e eu adoro, o outro não quer ir de férias porque fica ansioso quando não trabalha, o outro não sei que mais, que inferno! O André, ao menos, come de tudo, não chateia nada, é fácil de se viver com ele. Tudo o que eu lhe ponha à frente está bom, marcha logo, vai a tudo, gosta de pessoas, gosta de sair, é simpático, pronto, não tem as manias que a maior parte dos homens têm. O André não. É só aquilo do capacho e não se pode dizer que seja uma mania. Até é uma coisa bem feita, se eu a conseguisse aturar.

(...)

Segunda mulher (olha para o relógio) - Já deve ter chegado. Meteu a chave à porta, deu um passo dentro de casa, limpou os pézinhos. (Suspira). Uma coisa pequenina mas que sorve as outras todas. O que mais me chateia é que ninguém me avisou que isto podia acontecer. Disseram-me, olha que ele começa a ter amantes, olha que ele começa a beber, a jogar, a dar menos dinheiro para a casa... Tanta coisa que podia acontecer e foi acontecer o que não estava previsto. (Pausa. Falsamente sentenciosa) Já dizia a minha avó: "É muito fácil conquistar um homem, o difícil é mantê-lo!".

sábado, 10 de janeiro de 2009

Boleias dAc

(no meio de uma longa conversa - das sérias...)
Lila: Por exemplo, uma pessoa que se põe a cantar na Casa da Música de chapéu de palha na cabeça está claramente a expor-se ao ridículo.
Eu: Claro. Mas quem é que fez isso?
Lila: A Lisa Ekdahl.....?

sexta-feira, 2 de janeiro de 2009

Ensaio

Segunda, dia 5, às 20h.


(ln)